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MADRUGADA






















Acordo no meio da madrugada. O travesseiro empapado de suor. Na noite abafada, a janela, mesmo entreaberta, mantém a cortina imóvel. Não há a mínima brisa, faz muito calor. Impossível voltar a dormir de imediato.

Levanto-me, passo água fria no rosto e no pescoço. Visto meu roupão, perambulo pela sala, decido ir para a varanda.

Lá, sigo meu ritual das madrugadas quentes e insones. Sento-me à cadeira de vime, apoio desleixadamente as pernas no peitoril. Fico por lá, vendo as milhares de luzes da cidade. Imaginando que há muitas vidas atrás de cada uma delas, a maioria agora sonhando.

Eu também estive sonhando...

FONTE: http://www.casadoscontos.com.br/texto/200903832

No entanto, as imagens são fugazes, como se evaporassem, à medida que me ponho cada vez mais desperto. O pouco que guardo, me fala de um encontro. De algo novo e instigante, que me tocara.

Mas claro: o encontro! Não foi um sonho comum. Estava na realidade rememorando.

As imagens e sensações da tarde na chuva voltam vívidas num flash-back, que saboreio vagorosamente. E sabor é bem um termo adequado, pois o que me sabe na boca agora é o sal de sua pele.

Volto a tudo no início. Recordo da forma contida e tímida como começamos. Da mais relaxada, em que, depois de algum tempo, como se já fossemos velhos conhecidos que queimaram etapas nos e-mails, conversamos sobre tudo.

O suave perfume que usava. Da forma como parecia deliciosamente estar solta, dentro daquele vestido de verão. Da vontade à duras penas contida de tocá-la, sentí-la. Mas tendo que conter minhas mãos ávidas, afinal, ainda estávamos numa cafeteria, cheia de gente...

Ao sairmos de lá, veio a chuva, e o turbilhão da tempestade embaralha minhas lembranças.

A surpresa: ao ver a tempestade, enquanto nos abrigávamos sob a marquise de um shopping, ela saca seu celular da bolsa. Liga para alguma secretária e desmarca uma reunião. Alega a chuva e congestionamento que a impediriam de chegar a tempo.

Desliga e me olha nos olhos. Provocadora...

Vêm-me de novo a lembrança do sal da sua pele, o perfume, agora mais quente, não mais o cosmético, mas o de seu corpo...

Flash-backs e flash-forwards se sucedem. Revivo o toque de seus lábios, seus seios se aninhando em minhas mãos enquanto beijava seu colo... nossas línguas dançando juntas.

O sempre inesquecível primeiro beijo.

As formas de seu corpo se revelando para minhas mãos, suas mãos me buscando.

Sonhara pouco antes com estas cenas e talvez mais. Mas, já disse, não foi apenas um mero sonho.

Na posição descuidada em que me pus, não percebi o roupão todo aberto. Felizmente ninguém a vista. Estou excitado como um adolescente...

Relembro a forma como a desnudei, beijando cada centímetro de sua pele que liberava.

Como seus lábios eram refrescantes.

Como seus seios eram doces.

Quanto calor, quanta pimenta liquefeita encontrei no seu sexo...

Olho de novo para as milhares de vidas sinalizadas pela luzes que cintilam nos prédios e ruas da cidade. Também me sinto pleno de vida...

O membro que se fez rijo, rememora o calor com que ela o recebeu dentro si.

Ah! Como ela parecia uma deusa, quando sentou-se, se fez penetrar toda e iniciou a cavalgada, oferecendo-me simultâneamente sua boca, seus seios, para que me fartasse dela por inteira.

Fico olhando as luzes dos milhares de prédios que diviso aqui da minha varanda. Atrás de algumas delas estará minha musa descansando?

Talvez, cansada, durma agora como uma criança arteira que teve um dia cheio de brincadeiras. Talvez seus sonhos também mesclem lembranças e fantasias. Quem sabe o que realmente se passa nesse mundo de mistérios que é a mente de uma mulher?

Aqui, não me esqueço de como o amor foi feito com aquele misto de ousadia e sabedoria. Como foi bem fruído.

Como foram deliciosas as conversas do depois, quando já sem qualquer tipo de inibição, conversamos enlaçados um no outro, corpos nus e totalmente cúmplices.

Finalmente uma brisa sopra e me acaricia.

Relembro todas as carícias. Relembro toda ousadia. De como ela me sussurrou ao ouvido:

- "Venha devagar e com cuidado...mas me tome! Eu quero!"...

E então colocou-se de quatro, oferecendo sua entrada mais proibida.

Oferta que foi aceita. E consumada...

Essa brisa, bem-vinda, continua aqui na minha varanda. Brisa sim, não vento, pois me soa bem feminina. Acariciou meu corpo, amenizou o calor que sentia na pele.

Posso voltar a dormir agora. Tenho um bom tema para continuar a sonhar...

Embalo meu sono pensando que preciso de novo vê-la.

Preciso tê-la...

 
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